Project Description

Renato Gama • Berlin

Renato Gama • Berlin – out now on the digital platforms •  soon limited gate-fold edition on vinyl

★ This release is a limited edition of 300 copies ★

Side A • Treptow

Caminho de São Benedito
(Renato Gama) • 4:21

Anjo Paulo
(Renato Gama) • 4:23

Manuel Cabinda
(Renato Gama) feat. Liberdade by Franck Bidin • 2:47

Side B • Kreuzberg

Domingo
(Renato Gama / Marcelo Del Rio) • 5:13

Mau jeito
(Renato Gama / Danilo Monteiro) • 3:54

Amigo João
(Renato Gama / Luciano Carvalho / Alexandre gonçalves) • 4:09

Tropical Diaspora® Records & Sá Menina Produtora presents

RENATO GAMA – Berlin was live recorded at the ARK Studios Berlin in the summer of 2019 this record is Featuring: Renato Gama (Voice and Gittar) , Ronaldo Gama (Bass), Leo Carvalho (Percursion) along special guests Franck Bidin and Paulo Cedraz.

Não estamos somente felizes como gravadora por poder realizar este projeto em vinil mas estamos muito orgulhosos de apresentar esse disco a você com uma introdução poética escrita por nosso irmão Almir Rosa.

Já faz muito tempo que eu perdi o hábito de ver fotografias antigas, esse momento é um clássico dos anos 80, 90. Aquelas reuniões de família que lá pelo meio da tarde, depois daquele almoço delicioso e cheio de afeto, os álbuns de fotos surgiam em meio ao cheiro do café.
Esse rito marcou muita gente, até hoje acontece em muitas famílias. É tão importante pra gente não se desconectar do passado, olhar para o lugar de onde viemos.
E se pudéssemos abrir um álbum de fotos vindas do futuro?
Berlin é um disco que vive o seu próprio tempo, dilatado, anacrônico, coringa, místico, desliza entre pajelanças e suingues que viajam em buracos sem fundo, enquanto vê surgir junto ao por do sol, a impossível face direita das árvores.
Um disco, uma fenda mágica que lança luz violeta sobre aquilo que vivemos, torna nossos dias aquecidos pelo calor do afeto e esperança e ainda de forma radiante, espalha sementes douradas pelos jardins do futuro!
Berlin flutua numa encruzilhada enquanto álbuns de fotografias orbitam à sua volta!”

Caminho de São Benedito

Um disco que começa pedindo benção pra avó, desliza no vento e no tempo feito aroma de café. Segue a pisada do santo pois nesse caminho está escrito a canção que fala do amor. As palavras que são evocadas na abertura de um ritual, dizem muito sobre o fenômeno transcendental que surgirá diante de nós.

Anjo Paulo

Se você está numa estrada, pilotando um Maverick e ao seu lado, no banco do passageiro estiver sentado um anjo, isso é um ótimo sinal. Se o balanço que tocar na fita K7 combinar com a risada dele, então boa parte da paisagem estará garantida. Amizade é fruta mordida, é escorrer juntos pelas ruas da cidade, feito os riachos que buscam o mar. É encaixar aquela bola impossível, entre três marcadores e vê-la se aninhar nos pés do parceiro, como se fizessem isso há anos, vidas e mais vidas. Feliz é a pessoa que bebe com seu anjo da guarda.

Manoel Cabinda

O ponto exato em que os caminhos se encontram tem destaque em nosso imaginário, uma encruzilhada foi um termo e situação fortalecida no catálogo das simbologias. Esse lugar de cruza, gerou mistérios, faíscas e promessas. Dentro de nós habitam várias encruzilhadas e quando cruzamos com outras pessoas, uma nova manifestação se faz ainda mais potente e eu aqui fico pensando nas voltas que o mundo dá.
Numa encruza da Vila Nhocuné com Berlin, podemos avistar negras e negros, escrevendo suas histórias entre cantos e revoluções, para hoje e sempre, a se libertar.

Domingo

Domingo é o dia da semana que mais seduziu o cancioneiro brazuca, os Originais do Samba disseram que era dia de alegria, o SPC falou que era o dia de encontrar e desabafar e os antigos diziam que era pé de cachimbo. Mas pera lá, cachimbo tem pé?
Daí a importância do imaginário, de ver a fumaça subindo por detrás do matagal, se misturando entre as pipas no céu, de uma zona leste tão xamânica, quanto populosa.
Nesses fins de tarde, desse dia que se mistura entre o último e o primeiro da semana, vimos parentes e amigos reunidos, festejando no buraco mais fundo, comendo, bebendo e cantando, mundos que acabam e começam, entre um balanço e outro.

Mau Jeito

Coahb 2, Zona Leste, São Paulo, Brasil, duas horas da tarde, enquanto o mundo ferve lá fora, alguém se protege em seu quarto, 2 x 2. Um edredon azul escuro pendurado na janela, tenta rebater as rajadas solares, carregadas de cobranças. Uma caderneta manchada de café, repousa sob a mesa, aborratda de contas e versos.
Nas tardes frias de outono, o edredon sai da janela rumo ao sofá de dois lugares e então o sol atravessa o vaso de cataventos e projeta sua sombra na parede. Um rastro de perfume que se impoe ao azul escuro do edredon, foi flagrado embarcando no terminal Aricanduva, sonhando poemas e espalhando amoras com olhos.

Amigo João

João dizia que conheceu o jazz observando como sua casa funcionava, as várias pessoas naquele pequeno espaço, cruzando passos, sonhos e tarefas, o teclado do compu-tador funciona frenético, panela de pressão chiando, criança chorando, criança correndo, telefone tocando, batem palma no portão, vende-se pano de prato, mensagens brotam na tela do celular e entre a geladeira e o sofá, numa das mãos uma gelada, e na outra, conta os dias para o resultado de um projeto, ah, precisa dar um salve no Dizão pois pintou uma viagem. Quando João ouviu jazz pela primeira vez ele já se conheciam.

Almir Rosa, São Paulo abril de 2020

We are not only thrilled as a recording company to be able to realize this record but we are very proud to introduce this record to you with a poetic introduction written by our brother Almir Rosa.

I have long lost the habit of seeing old photographs. The moment is a classic of the 80s and 90s. Family gatherings where the photo books appeared amid the smell of coffee in the middle of the afternoon after a delicious and warmhearted lunch.
This ritual has marked many people, even today it happens in many families. It’s so important for us not to disconnect from the past, to look where we come from.
What if we could open a photo album from the future?
Berlin is a record that lives its own time, dilated, anachronistic, mystic and joker, it slides between rituals and swings that travel in bottomless pits, while it sees appear with the sunset the impossible right side of trees.
A record, a magical rift that casts violet light on what we live, turns our days warmed by the heat of affection and hope and even more radiantly it spreads golden seeds through the gardens of the future!
Berlin swings at the crossroads while photo books orbit it!”

St. Benedict’s way

A record that begins by asking for a blessing for the grandmother, moves through the wind and the time made of coffee aroma. It follows in the footsteps of the saint because on this path is written a song that speaks of love. The words invoked at the opening of a ritual say a lot about the transcendental. phenomenon that will appear before us.

Paulo, the angel

If you’re on a road driving a Maverick and next to you, on the passenger seat, an angel is sitting, that’s a great sign. If the swing that plays on the tape goes with his laughter, much of the view is then guar-anteed. Friendship is the bitten fruit, it is flowing together through the streets of the city made by the streams that search for the sea. It is to shoot that impossible ball between three markers and see it nestle at your partner’s feet, as if it has been doing it for years, for lives and more lives. Happy is the person who drinks with his guardian angel.

Manoel Cabinda

Where paths meet there is a point highlighted in our imaginary. The crossroads has become stronger as a term and a situation in the catalogue of symbologies. The crossroad has generated mysteries, sparks and promises. Inside of us there are several crossroads and when we cross with other people, a new manifestation becomes even more powerful and here I am thinking of the turns that the world takes.
At a crossroads between Vila Nhocuné and Berlin, we can see blacks who write their stories between songs and revolutions, for today and forever, freeing themselves.

Domingo

Sunday is the day of the week that has most seduced the Brazilian song book. Os Originals do Samba said that it is the day of joy; SPC told us that it is the day to meet and let out, and the ancients used to say said that it is the day of the pipe’s foot. But come on, does a pipe have a foot?
Hence the importance of the imaginary, of seeing the smoke rising from behind the undergrowth, mixing among the kites in the sky of the East Zone so shamanic as it is populated.
In those late afternoons of the day that blends between the last and first of the week, we saw relatives and friends gathering, celebrating in that deep hole, eating, drinking and singing, worlds that end and begin, between one swing and another.

Bad Way

Coahb 2, East Zone, São Paulo, Brazil, two o’clock in the afternoon, while the world is boiling outside, someone finds protection inside, 2 x 2. A dark blue duvet hanging from the window tries to prevent the sunbursts loaded with charges. A coffeestained notebook rests under the table, full of computations and verses.
In the cold autumn afternoons, the duvet leaves the window towards the two seater sofa, and so the sun goes through the vase of windmills and casts its shadow on the wall.
A trail of perfume that prevails over the dark blue of the duvet was caught embarking at the Aricanduva terminal, dreaming up poems and spreading blackberries with eyes.

Friend João

João said he knew about jazz by watching how his house worked, the various people in that small space, crossing paths, dreams and tasks, the computer keyboard working frantically, the pressure cooker squeaking, children crying, children running, phone ringing, palm tapping the gate, dishcloths for sale, messages sprouting from the screen of the cell phone and, between the refrigerator and the sofa, in one hand ice cream and in the other he counts the days for the results of a project, ah, he needs to greet the Dizão because he drew a trip. When João heard jazz for the first time they already knew each other.

By Almir Rosa, São Paulo April 2020
from Brazilian Portuguese by José-Mária Durán Medraño

Executive production by Dj GArRinchA
Production: Renato Gama, Ronaldo Gama, Leo Carvalho
Recording & vinyl mastering: Lars Christophersen at ark studios Berlin
Songs originally mixed by Ronaldo Gama
Songs originally mastered by Alécio Costa
Arranged by: The Collective
Special thanks to: Paulo Cedraz, Frank Bidin, Dr.Sócrates and Catarina
Production manager and legal clearances by Dr.sócrates
Photos, art direction and cover art by Dj GArRinchA

*tracks available on all digital platforms

Drum / Voice: Leo Carvalho
Contrabass / Voice: Ronaldo Gama
Guitar / Voice: Renato Gama
Flute / Saxophone: Paulo Cedraz
Voice: Franck Bidin