Fr. 20.06.08 Weltruf Kiel - Baile Funk w/ Dj GArRincha

Sex. 20.06.08 Weltruf Kiel - Baile Funk c/ Dj GArRincha

Baile Funk – O Batida da Favela Atravessa o Atlântico

Quando o Baile Funk começou a ecoar nas pistas de dança europeias, muitos tentaram explicá-lo com palavras complicadas. "World music." "Exótico." "Uma nova tendência do Brasil."

Mas para aqueles que vivem a Diáspora Tropical, a história sempre foi mais simples.

Baile Funk não é uma novidade. É continuidade. A mesma continuidade que conecta um tambor na África Ocidental a um terreiro na Bahia, a um sampler no Bronx, a uma caixa de ritmos em uma favela do Rio.

Um jornal alemão uma vez comparou as batidas a Run DMC ou Beastie Boys. E sim, a conexão está lá — mas não porque esses artistas sejam "melhores" ou "mais originais". Eles são simplesmente parte da mesma diáspora, sampleando os mesmos ancestrais, remixando os mesmos ritmos. A única diferença é a visibilidade: eles vieram do império, então seus nomes viajaram mais longe. Mas o Bronx não é mais importante que a Bahia. O Brooklyn não é mais importante que Bogotá. A diáspora não tem um centro.

Desde o início, DJ Garrincha e Dr. Sócrates fizeram suas seleções com cuidado. Eles sabiam que o Baile Funk e o Reggaeton carregavam a força das ruas — mas também, às vezes, letras que prejudicam as mesmas comunidades que os criaram. Então o princípio era simples: tocar as batidas sem tocar a opressão. Celebrar a festa sem celebrar o machismo. Dançar o ritmo sem dançar com a homofobia.

Isso não é puritanismo. Isso é respeito.

Levamos esse som muito além de Berlim. De Kiel a Krefeld, de Frankfurt am Main a Frankfurt an der Oder, de Madri a Barcelona, de Prizren em Kosovo a cidades em toda a Europa — onde quer que a diáspora se reúna, a batida segue.

Das favelas do Rio aos porões e clubes da Europa — o Baile Funk encontrou seu lugar na Diáspora Tropical.

E a batida continua. Com consciência. Com alegria.