Da periferia de Francisco Morato, uma matriarca levanta a voz. Sem perdão. Sem reparação. Apenas o acerto de contas de sangue.
Surgindo de Francisco Morato, uma cidade dormitório e uma das periferias mais violentas da região metropolitana de São Paulo. ANANDA não é uma artista típica estreante. Ela é mãe, permacultora, professora de física e matemática, engenheira, educadora popular e cofundadora do coletivo antigeneocídio Alfanje.
Hoje, ela adiciona mais um título: artista fonográfica.
Seu single de estreia, "Quanta Gota"Morato Records, uma nova divisão da Tropical Diaspora Records® dedicada à música enraizada em territórios específicos de luta. O vinil de 7 polegadas a 45 RPM apresenta a faixa original no Lado A e uma versão instrumental no Lado AA.
A canção é uma acusação forense. Sobre uma paisagem sonora assombrosa e percussiva, ANANDA nomeia seus inimigos: liberalismo, imperialismo, racismo estrutural, machismo e a necropolítica que autoriza o extermínio de seu povo. O refrão repete uma pergunta devastadora:
"Com quanta gota de sangue, pisado, sofrido, chorado, suado, apagado, se constrói o Estado? Se constrói a favela? Se constrói a senzala?"
A arte da capa mescla o rosto de ANANDA com as linhas de contorno topográfico de Francisco Morato, seu território gravado em sua imagem. A embalagem inclui um adaptador de corte (DCA) para reprodução imediata, um envelope de papel com as letras e uma capa plástica aberta. Sem embalagem retrátil. Sem excesso. Apenas a música, o mapa e a mensagem.
Créditos: Letras de ANANDA. Música de ANANDA & Zé Nigro (duas vezes vencedor do Grammy). Produzido por Zé Nigro & Tropical Diaspora Records® no Estúdio Navegantes, São Paulo. Masterizado por Buguinha Dub. Design de arte por Dj GArRincha.
Este não é um lançamento de estreia que pede permissão. É um lançamento de estreia que exige responsabilização.
Pré-venda agora. O vinil será enviado em julho de 2026. A distribuição digital está atrasada — priorizamos mídias físicas e estamos pesquisando alternativas éticas a plataformas que financiam genocídio e destruição ambiental.
Ouça com as mãos. Compartilhe com sua comunidade. Resista com todo o seu corpo.
Chamada para Ação:
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Morato Records / Tropical Diaspora Records®
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Lyrics
Português do Brasil
O neoliberalismo, severa exploração.
produz perversamente, toda globalização.
Escravismo, imperialismo para colonização.
Funda necropolítica exterminando a nação.
Capitalismo, consumismo, comportamento banal.
Determinando a regra, régua métrica geral.
Machismo e racismo, violência estrutural.
Hegemonia opera o genocídio social.
Com quanta gota de sangue pisado, sofrido e chorado, suado e apagado.
Que se constrói a burguesia e o Estado.
Que se constrói a favela e o Estado.
Com quanta arroba de sangue pisado, sofrido e chorado, suado e apagado.
Que se constrói periferia e o Estado.
Que se constrói a senzala e o Estado.
E pra salvar eu não esqueço.
Da minha origem eu tenho berço.
Venho do gueto.
Onde o povo pobre é predominantemente negro.
Marginalizado, apagado, maltratado e executado pelo Estado.
Que todo dia persegue gente pobre à reveria.
Criminalizando mães todo santo dia que tão na luta pelo pão e pela moradia.
Na lágrima derramada todo santo dia, na vida corrida sofrida na periferia, na periferia, na periferia, na periferia.
Não tem perdão, não tem reparação pra cada lágrima de mãe derramada no chão.
Não tem perdão, não tem reparação pelo impacto causado, demandado da escravidão.
Não tem perdão, não tem reparação, não tem não, não tem não, não tem não, não tem não.
Com quanta gota de sangue pisado, sofrido e chorado, suado e apagado.
Que se constrói a burguesia e o Estado.
Que se constrói a favela e o Estado.
Com quanta arroba de sangue pisado, sofrido e chorado, suado e apagado.
Que se constrói periferia e o Estado.
Que se constrói a senzala e o Estado.
Quem foi que disse que não existe racismo no Brasil?
Nunca colou lá na quebrada e nunca sentiu?
Quem proferiu o mito da igualdade racial no Brasil, no Brasil, no Brasil.
Brasil, quem te pariu?
English Translation of the Song
Verse 1
Neoliberalism, severe exploitation.
PRODUCE perversely all globalization.
Slavocracy, imperialism for colonization.
Founding a necropolitics that exterminates the nation.
Capitalism, consumerism, banal behavior.
Setting the rule, the universal metric standard.
Machismo and racism, structural violence.
Hegemony operates the social genocide.
With how many drops of blood—trampled, suffered, wept, sweated, and erased—
Is the bourgeoisie and the State built.
Is the favela and the State built.
With how many arrobas of blood—trampled, suffered, wept, sweated, and erased—
Is the periphery and the State built.
Is the slave quarters and the State built.
And to save myself, I do not forget.
I have the cradle of my origin.
I come from the ghetto.
Where the poor people are predominantly Black.
Marginalized, erased, mistreated, and executed by the State.
That every day hunts poor people on the outskirts.
Criminalizing mothers every single day who are in the struggle for bread and for housing.
In the tears shed every single day, in the harried, suffering life in the periphery, in the periphery, in the periphery, in the periphery.
There is no forgiveness, there is no reparation for every mother's tear spilled on the ground.
There is no forgiveness, there is no reparation for the impact caused, the legacy of slavery.
There is no forgiveness, there is no reparation, there is none, there is none, there is none, there is none.
With how many drops of blood—trampled, suffered, wept, sweated, and erased—
Is the bourgeoisie and the State built.
Is the favela and the State built.
With how many arrobas of blood—trampled, suffered, wept, sweated, and erased—
Is the periphery and the State built.
Is the slave quarters and the State built.
Who said racism doesn't exist in Brazil?
Never stepped into the 'hood and never felt it?
Who uttered the myth of racial equality in Brazil, in Brazil, in Brazil.
Brazil, who the hell birthed you?