GRI GRI BÁ (O Grande Feitiço, O Grande Feiticeiro) por HÖRÖYÁ

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Preço normal R$ 177,00 BRL inc. VAT
Detalhes do produto
  • Tipo Álbum
  • EAN 0678247930178
  • Catálogo TDR012
  • Lançamento 2024
  • Formato
    • Vinil
  • Tamanho
    • 12"
  • Velocidade
    • 33 RPM
  • Descrição
    • Edição especial
  • Condição da manga
    • Hortelã (M)
  • Condição de mídia
    • Hortelã (M)

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GRI GRI BÁ

(O Grande Feitiço, O Grande Feiticeiro)

GRI GRI BÁ (O Grande Feitiço, O Grande Feiticeiro) por HÖRÖYÁ

O Afrobeat esteve em voga alguns anos atrás. Todos buscavam inspiração na África, especialmente na música e nas letras de Fela Kuti, o grande músico nigeriano que originou o Afrobeat a partir do Highlife da África Ocidental e do funk afro-americano que ele conheceu após contato com os Panteras Negras nos EUA. No Ocidente, a cena da música independente estava em crise, e o Afrobeat parecia oferecer uma boa oportunidade para redimir músicos ocidentais que, diante de um presente vazio e despolitizado, pensavam que "tornar-se africano" poderia lhes dar um excedente muito necessário na indústria. O grande baterista e compositor da Africa ’70, Tony Allen, começou a fazer turnês, aparecendo em todos os festivais no Ocidente e colaborando em cada novo disco produzido. Algumas bandas começaram a incluir músicos da diáspora africana que eram usados para legitimar as bandas como um extra colorido e ajudavam a autenticar ritmos e letras. O Afrobeat estava em todo lugar. Ele veio do Ocidente e resgatou um passado glorioso perdido na 'escuridão' da história africana. Em países como o Brasil, mas também nos EUA, o Afrobeat serviu para as elites (brancas) descobrirem a herança africana sem ter que se sentir desconfortáveis com isso. É algo muito estranho se considerarmos que o Brasil tem a segunda maior população negra do mundo. De alguma forma, em uma reinterpretação distorcida da dialética Mestre-Escravo hegeliana abordada por Frantz Fanon, o Ocidente reconheceu assim sua dependência da tradição musical africana sem reconhecer a independência da África de sua visão de mundo.

Não é certo pegar a herança e a criatividade de culturas oprimidas sem pensar nas repercussões. Isso é apropriação. Mas o Höröya seguiu um caminho diferente. A banda de São Paulo não imita Afrobeat ou Afrojazz. Ela faz um uso consciente desses. No contexto de segregação racial e de classe que molda a vida social brasileira, isso se torna uma postura política. Seu frontman, André Piruka, sabe muito bem o que significa ser afro-brasileiro hoje. Suas composições musicais, seu uso de instrumentos e ritmos africanos, mostram um profundo respeito e compreensão de uma tradição cultural que difere de certos estereótipos que ainda moldam a maneira como o Brasil entende sua relação com a África, apesar de a África ter moldado dramaticamente a cultura musical brasileira por séculos. A música criada pela diáspora africana no Brasil, e em todo lugar, tem sido o resultado de uma luta coletiva levada a cabo nas mais desumanas condições. Sua sobrevivência fala sobre a resiliência de milhares de mulheres e homens no momento de sua extermínio. Qualquer uso, performance, retrabalho ou reinterpretação desta herança musical precisa ter isso em mente. Assim é com o Höröya, e muitas outras bandas no Brasil, que fazem uso do Afrobeat partindo das favelas de sua própria realidade.

É excepcional, e uma de suas maiores conquistas, que o Höröya não recorra àquelas formas estereotipadas e fossilizadas de Afrobeat que eram atuais há alguns anos. O Höröya faz a escolha consciente de voltar à África, de trabalhar com os mestres e de trazer a África de volta ao Brasil. Ele cria uma mistura que aborda a Diáspora de hoje, a realidade do deslocamento econômico e social dos africanos contemporâneos no Brasil. O nome do álbum, GRI GRI BA, significa em malinquê o grande feitiço, o grande feiticeiro... e assim funciona a música que conspira para trazer de volta ao Brasil sua própria herança e reviver seu próprio passado, os alicerces de sua cultura. Este é um truque dialético. Porque a estranheza da música no hype cultural brasileiro de hoje torna evidente a alienação cultural da sociedade brasileira. Ser africano no Brasil de hoje ainda significa resistência e resiliência, e o Höröya tem sido capaz de criar a trilha sonora dessa realidade.

Esta é a missão principal da Tropical Diaspora Records: documentar esses feitiços vivos de insurreição sônica. TDR012 é um manifesto — onde as raízes das tradições malinquê, iorubá e wolof não são sampleadas como sabores exóticos, mas invocadas como tecnologia ancestral. Höröyá não pede permissão para ser africano no Brasil; eles o afirmam através de cada polirritmia. Com GRI GRI BÁ, a Tropical Diaspora mantém seu compromisso de lançar músicas que descolonizam as pistas de dança, transformando a luta afro-brasileira em uma celebração que é tanto uma oração quanto uma arma.

Editado por Dr.Sócrates.