As Margens Do Rio Doce on Vinyl
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SKA MARIA PASTORA

Remastered

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Tropical Diaspora Music from Brazil and Jamaica
Two Afro Diasporas separated by geography
united by resistance.

por Dj Dr.Sócrates

Você pode ter ouvido falar sobre isso. Desde 2012 o Frevo é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial. O Frevo pernambucano obteve então o reconhecimento que merecia e partiu de importantes instituições internacionais. Assim, pode ser celebrado como o incrível legado que é. Mas desculpe desapontar você. O Frevo é reconhecido há muito tempo pelas pessoas que contribuíram para sua criação e prática. O selo da UNESCO significa apenas a monetização pelas elites de Paris, Londres, Berlim, Nova Iorque… de uma prática cultural que não pertence a ninguém, mas às pessoas que a cultivam.

Originário dos desfiles carnavalescos de bandas militares, o nome Frevo significa ferver enquanto a dança frenética faz ferver. Mas a dança tira da Capoeira o movimento como arma e disfarce, pois quem fervia nas ruas do carnaval pernambucano eram as massas desordenadas que vão e vêm sem direção reconhecível. Praticamente não existe dança popular no mundo que não seja uma expressão de luta, uma forma de levar a cabo a luta.

O Ska Maria Pastora retoma a tradição dos desfiles de Frevo e mescla com uma linha de baixo ambulante acentuada com ritmos off beat, ou seja, o Ska. Frevo e Ska. Ska Maria Pastora mostra como nenhum outro o que significa revisitar o Ska usando as harmonias do Frevo para ferver o Ska Jamaicano com o carnaval.

Jamaica e Brasil fundidos numa mistura única. O Nordeste brasileiro e o Caribe, dois lugares que testemunharam as primeiras revoluções da história moderna: as revoluções dos quilombolas. Muitas vezes descritos como grupos de escravos fugitivos, foram autênticas revoluções populares, como no caso do grande Zumbi dos Palmares, o líder quilombola que ajudou a criar um imaginário de resistência e luta que continua até hoje. Um dos pontos altos das revoluções negras nos territórios hoje conhecidos como Américas foi a revolução na colônia francesa de Saint-Domingue liderada por Toussaint Louverture que deu origem ao estado independente do Haiti, uma revolução que abalou os alicerces do Metrópole francesa Paris. Nunca se esqueça dessas histórias ao ouvir a seção de metais da Ska Maria Pastora: a marcha dos quilombolas.

Nos conflitos para controlar o tráfico atlântico de escravos e as lucrativas plantações de açúcar utilizadas como campos de extermínio da população negra, surgiu a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que ilumina a história de Pernambuco até as elites portuguesas do Brasil reconquistarem o enclave. Os holandeses incendiaram Olinda, capital da Nova Lusitânia. Mas antes disso houve o saque de Recife e Olinda por corsários e comerciantes ingleses. A UNESCO declarou o patrimônio colonial de Olinda Patrimônio Mundial em 1982. Um local de vergonha. Espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses estiveram envolvidos na reivindicação das terras que pertenceram aos Tupi-Guarani. Mas o açúcar era uma mercadoria demasiado doce para os bolsos dos colonialistas permitirem que os lucros do comércio desaparecessem. A história moderna do Nordeste do Brasil começa aqui, com campos de extermínio, genocídio em massa e potências imperiais lutando entre si pelo controle da produção de açúcar que primeiro invadiu a sociedade aristocrática europeia e mais tarde serviu como principal fonte de energia para as classes trabalhadoras empobrecidas que povoavam o fábricas da revolução industrial que empobreceriam ainda mais o Sul Global.

A acumulação primitiva começou em lugares como Pernambuco e estilos como o Frevo significam a resistência criativa das populações na sua luta pela soberania. Assim como o Ska, que cresceu como uma combinação do Mento caribenho e do Calypso com o jazz afro-americano e os ritmos de Nova Orleans. Mais tarde, o Ska evoluiu para o Reggae, outro Patrimônio Cultural Imaterial nomeado pelos neocolonialistas da UNESCO. Mas o Reggae e o Ska não precisam de reconhecimento de nenhum órgão internacional elitista, uma vez que se tornaram verdadeiros ritmos internacionais dos povos do Sul global. Poderia ter acontecido com o Frevo também, mas o Império Britânico sempre esteve mais interessado em exportar os seus produtos coloniais, tal como explorou a força de trabalho das Índias Ocidentais para abastecer o seu complexo industrial na Grã-Bretanha. O que eles não previram foi a aliança entre os emigrantes das colónias e as crianças da classe trabalhadora britânica que deu origem à subcultura skinhead contra o preconceito racial.

Os destinos dos povos do Sul Global cruzam-se em ritmos como o Ska e o Frevo, que se tornam hinos do verdadeiro internacionalismo.

Text Edited by Dj Dr.Sócrates

You may have heard about it. Since 2012 Frevo has been recognized by UNESCO as Intangible Cultural Heritage. The Frevo of Pernambuco has then got the acknowledgment it deserved, and it came from important international institutions. Thus, it can be celebrated as the incredible legacy that it is. But sorry to disappoint you. Frevo has been recognized for a long time by the people who have contributed to its creation and practice. The UNESCO seal only means the monetization by the elites of Paris, London, Berlin, New York… of a cultural practice that belongs to no one but to the people who nurture it.

Originating in the carnival parades by military bands, the name Frevo means to boil as the frenzied dance makes you boil. But the dance takes from Capoeira the movement as weapon and disguise, because the ones who were boiling in the streets of Pernambuco’s carnival were the unruly masses that come and go without any recognizable direction. There is virtually no popular dance in the world that is not an expression of struggle, a way of carrying out the struggle.

Ska Maria Pastora picks up on the tradition of the Frevo parades and mix it with a walking bass line accented with off beat rhythms, that is, Ska. Frevo and Ska. Ska Maria Pastora shows like no other what means to revisit Ska using Frevo’s harmonies to boil Jamaican Ska with carnival.

Jamaica and Brazil fused in a unique blend. The Brazilian Northeast and the Caribbean, two places that witnessed the first revolutions in modern history: the revolutions of the Maroons. Often described as groups of runaway slaves they were authentic people’s revolutions as in the case of the great Zumbi dos Palmares, the quilombola leader who helped create an imaginary of resistance and struggle that continues today. One of the high points of the black revolutions in the territories now known as the Americas was the revolution in the French colony of Saint-Domingue led by Toussaint Louverture that gave rise to the independent state of Haiti, a revolution that shook the foundations of the French metropolis Paris. Never forget these stories when listening to the brass section of Ska Maria Pastora: the marching of the Maroons.

Music by Deco Trombone
Arranged by Ska Maria Pastora

Remastered and Reedited for Vinyl and Cassette
by Tropical Diaspora® Records

stream or buy the digital Album at Bandcamp…

Limited 12″ Album 33 rpm 180 gram Colored Vinyl in Gate-fold sleeve Booklet and Art Poster.

4 Pages Booklet

Doble Sided A1 Poster with Original Art by Estúdio Super Terra and our Manifesto

In the conflicts to control the Atlantic slave trade and the profitable sugar plantations used as extermination camps of the black population, the Dutch West India Company arose, which enlightens the history of Pernambuco until the Portuguese elites of Brazil reconquered the enclave. The Dutch burned Olinda, the capital of New Lusitania. But before that, there was the plundering of Recife and Olinda by English privateers and traders. UNESCO declared the colonial heritage of Olinda a World Heritage Site in 1982. A site of shame. Spanish, Portuguese, English and Dutch all were involved in claiming the land that once belonged to the Tupi-Guarani. But sugar was too sweet a commodity for the colonialists’ pockets to let the profits from the trade go away. The modern history of Northeast Brazil begins here, with extermination camps, mass genocide and imperial powers fighting each other for control of the sugar production that first invaded European aristocratic society and later served as the main source of energy for the impoverished working classes that populated the factories of the industrial revolution that would further impoverish the Global South.

Primitive accumulation began in places like Pernambuco and styles like Frevo mean the creative resistance of the populations in their fight for sovereignty. As it is with Ska, which grew as a combination of Caribbean Mento and Calypso with Afro-American Jazz and New Orleans rhythms. Later, Ska developed into Reggae, another Intangible Culture Heritage named by the neocolonialists of UNESCO. But Reggae and Ska do not need recognition by any elitist international body, since they have become true international rhythms of global south peoples. It could have happened with Frevo too, but the British Empire has always been keener on exporting its colonial goods like it exploited West-Indian workforce to fuel its industrial complex in Great Britain. What they did not see coming was the alliance between emigrants from the colonies and British working-class kids that gave birth to the skinhead subculture against racial prejudice.

The destinies of the peoples of the Global South intersect in rhythms such as Ska and Frevo, which become anthems of true internationalism.

Written By Dj Dr.Sócrates after warmup at Cafe Morgenrot and Gira Dischi with deep dive discussions with Dj GArRinchA at Nemo Café in Berlin.

Tracks / Sides

East Bank / Margen Leste

Fanfarra Dominicana • 1
As Margens Do Rio Doce • 2
Cabelo De Fogo • 3
Skarnaval • 4
Bolero Do Velho Oeste • 5
O Destino De Fidel • 6

West Bank / Margen Oeste

7 • Jardel
8 • Hino Do Elefante
9 • Uma Night No Iraque
10 • Fim De Tarde No Nobilis
11 • O Regresso De Oroska

Musical Production: Yuri Queiroga
Executive Production: Ska Maria Pastora & Refinaria Cultural
Original Graphic and Illustration: Estúdio Super Terra
Arragements: Deco Trombrone & Ska Maria Pastora
General Direction: Yuri Queiroga & Ska Maria Pastora
Audio Engineers: Christiano Lemgruber, Marcílio Moura, Rodrigo Araújo

Recorded at Fábrica Estúdios between june and november 2010

Vinyl Executive Production and Conception: Djs GArRinchA & Dr.Sócrates for TROPICAL DIASPORA® RECORDS Berlin
Legal Clearance, Supervision & : Dr.Sócrates • Poster & Vinyl Design: Garra
All Songs Published by Ska Maria Pastora℗© 2012 • Available in CD
℗© 2024 under license Tropical Diaspora® Records ® All Rights Reserved • Available in Tape Cassette